18 de abril de 2009

Desorientação

Alguns olhares são bússolas voltadas para a perdição. 

12 de abril de 2009

Ai, saudade

Há saudades tão pesadas,
tão pesadas que enlouquecem...
...nem remédios, nem estradas
- os meus olhos não te esquecem.

Há saudades tão doídas,
tão doídas que sepultam
(são saudades, são feridas
as que em mim, agora, avultam).

Ai, saudade de quem amo
e não tenho mais agora
- o teu nome chamo, chamo,
mas, em vão: tu foste embora.

Ai, saudade que me aperta,
contra a qual eu nada posso...
...a minh'alma está deserta,
desolada...que destroço!

7 de abril de 2009

Lição

A chuva,
que do céu cai,
não reclama quando lançada à Terra de inúmeras iniquidades.
Antes,
procura penetrar-lhe
na esperança de torná-la melhor.

31 de março de 2009

Também

A verdade só constrói,
não maltrata, não espezinha
(tudo, tudo o que me dói,
eu sei bem, a culpa é minha).

A verdade não destrói,
ela apenas encaminha
(tudo, tudo o que me dói,
eu sei bem, a culpa é minha).

A verdade não corrói,
tão somente ensina e alinha
(tudo, tudo o que me dói,
eu sei bem, a culpa é minha).

A verdade, como sói,
sempre ajuda, sempre aninha
(tudo, tudo o que me dói,
eu sei bem, a culpa é minha).

A verdade às vezes dói,
uma dor que não se tinha,
mas da dor surge um herói
- e, também, a culpa é minha.

23 de março de 2009

Tem razão

Tem razão quem me afronta,
tem razão quem me condena:
não está pronta, não está pronta
a minh'alma tão pequena.

Têm razão meus inimigos,
têm razão meus detratores:
a minh'alma tem amigos
e conhece apenas flores:

não conheço miseráveis,
não conheço a solidão;
tenho sonhos adoráveis
e uma vida de ilusão;

não conheço a fome e o frio,
o abandono e o desamor;
nunca me senti vazio,
não conheço o medo e a dor.

Tem razão quem me machuca,
quem me esnoba e quem me esquece:
quem o espírito não educa
passa a ter o que merece.

Tem razão quem me atormenta,
quem me enerva, quem me aflige...
...quem a dor não experimenta
nunca aprende e não corrige.

19 de março de 2009

Charme

Metade do charme de uma mulher está em seus olhos. A outra metade, nos olhos de quem a vê.

26 de fevereiro de 2009

Um pensamento

Todas as vezes que me deito em minha cama,
eu fecho os olhos e me vem um pensamento;
um pensamento poderoso e que me inflama
tal como o sol inflama os céus, o firmamento:

Estou, Senhor, fazendo jus ao Teu amor?
Fazendo tudo o que consigo e deveria
para ajudar aos que tem fome, sede e dor,
como o Senhor, por ser Amor, por mim faria?


Estou, Senhor, fazendo jus ao Teu amor?
Usando o tempo que me destes para o bem?
Reconhecendo o que na vida tem valor
e procurando a fé levar aos que não têm?


Estou, Senhor, ao Teu amor fazendo jus?
Reconhecendo a minha imensa ignorância?
Reconhecendo que o Teu nome é como luz,
que é toda a luz!, que é luz!, que é luz!, e em abundância?

Senhor, eu sei que sou pequeno e desprezível,
imenso apenas em orgulho, em egoísmo;
que sou também de uma vaidade intraduzível
e que carrego a essência torpe do cinismo.

Senhor, eu sei que Tu viestes dar o exemplo
- o próprio corpo oferecestes ao tormento!
Será que faço do meu corpo um vivo templo
em que habitas o Teu santo ensinamento?

Eu sei, Tu sabes, que sou fraco, melindroso,
intransigente, preguiçoso, inconsequente;
acomodado, indiferente, rancoroso,
ganancioso, irracional, maledicente!

Como, meu Deus, posso ser digno do amor
que no Senhor é a régua própria do infinito?
Responda, Amor, eu faço jus ao teu Senhor?
(talvez a Dor saiba dizer, mas sempre a evito!)

Todas as vezes que me deito em minha cama,
eu fecho os olhos e coloco-me a pensar:
Senhor, Senhor, a consciência já me chama...
...não faço jus, não faço jus...preciso amar!

25 de fevereiro de 2009

As tuas coisas

É a intenção com que lidas com as tuas coisas que as tornam especiais.

Irreversível

Nem as botas dos soldados alemães,
em França,
nem as botas do astronauta americano,
na lua,
fizeram o tempo parar.
Esse,
senhor do senhor do senhor dos senhores,
não sabe o que é bom,
não sabe o que é mal,
não sabe o que é belo,
amável ou repugnante.
Sabe,
apenas,
soberba e soberanamente,
que todas as coisas
- inexoravelmente -
ocorrem como

prenúncio,
preâmbulo,
prelúdio

do único e inevitável fim a que tudo se dirige:
a divinização do homem.

20 de fevereiro de 2009

Sabes, sabes, sabes

Sabes, sabes, sabes!
Sabes, sabes bem:
tudo o que em mim cabe
é meu e teu também.

Olhos, sentimentos,
alma e coração;
tens meus pensamentos,
tens minha razão.

Tudo o que em mim cabe,
quase nada é meu...
...sabes, sabes, sabes:
tudo, tudo é teu!

Sabes, sabes, sabes!
Sabes, sabes sim:
tudo o que em mim cabe
é teu, só teu e fim.

9 de fevereiro de 2009

(Des)importância

Por mais que eu me esforce,
pesquise ou pergunte,
não hei de encontrar
a exata palavra
que melhor defina
a minha infinita,
imensa e impensável,
escassa importância
no arranjo eterno,
perfeito e real,
das coisas que há
- embora eu possua,
em meu pensamento,
total importância
e todo o valor
que eu mesmo me dou.

7 de fevereiro de 2009

Quantas, quantas vezes, quantas?

Vigiar o telefone
não comer, não sentir fome
não saber o que fazer

Escrever o tempo inteiro
abraçar o travesseiro
todos, todos esquecer

Ter as mãos abobalhadas
as idéias bagunçadas
o pensar desconcertado

Ai Senhor! Por que deixaste
tal perigo acontecer-me?
Por acaso não lembraste
que pedi para esquecer-me?

Quantas? Quantas vezes? Quantas?
Machuquei-me o coração?
Tantas! Tantas vezes! Tantas!
Por que mais uma ilusão?

Não dormir, nem trabalhar,
ver o tempo rastejar
sem que nada me aconteça

Respirar só por suspiros,
por nos olhos luzes, brilhos...
...não ter nada na cabeça...

Ai Senhor! Por que deixaste?
Por acaso não lembraste
que pedi para esquecer-me?

Tantas! Tantas vezes! Tantas!
Quantas? Quantas vezes? Quantas
já pedi para esquecer-me?

2 de fevereiro de 2009

Após você

Mesmo que Deus todo o meu sangue envenenasse
e assim secasse todo, e enfim, meu coração,
e me dissesse - “Viveria se parasse” -
eu Lhe diria - “Meu Senhor, Te digo não”.

Mesmo que Deus aponte a mim a mão da Morte
e da Desgraça se Sua voz desobedeço,
me faço surdo, cego os olhos, perco a sorte,
mas não te esqueço, não te esqueço, não te esqueço!

Mesmo que Deus me condenasse ao mal eterno
e me fizesse prisioneiro de outras chamas,
as labaredas, eu diria, de outro inferno,
não são tão quentes como o peito de quem ama!

Mesmo que Deus desse-me vida fora desta
caso eu quisesse e se eu pudesse te esquecer,
nessa outra vida - não tão longe do que resta -
eu passaria, morreria sem viver:

não existe vida se não vive-se ao teu lado,
não existe tempo que me faça te esquecer,
não existe nada que do nada foi criado,
não existe vida para mim após você.

1 de fevereiro de 2009

Freud explica

Do útero de minha mãe direto para o seu seio - apenas Freud compreende o bem que você me faz.

Ainda sobre a saudade

Saudade é um perfume
- passado -
na alma.

16 de janeiro de 2009

Saudade

Comecei
a escrever
um
poema
sobre a saudade
quando você
me disse
"adeus".

Como o terminarei?
Quando o terminarei?

5 de janeiro de 2009

O significado da palavra 'gratidão'.

Gratidão. [Do lat. gratitudine] S. f. 1. Qualidade de quem é grato. 2. Reconhecimento por um benefício recebido; agradecimento, reconhecimento.

Fonte: Dicionário Aurélio

2 de janeiro de 2009

Dois de janeiro

Aviso para quem estava esperando 2009 chegar para realizar um projeto, começar alguma coisa ou tomar uma decisão: os relógios já marcam 01:01 do dia dois de janeiro. Logo logo serão 02:02, 03:03, 04:04, 05:05 e você está esperando o quê? O tempo passar, o ano novo acabar??

Os significados das palavras 'perdoar' e 'perdoável'

Perdoar. [Do lat. perdonare.] V. t. d. 1. Desculpar, absolver, remitir (pena, culpa, dívida, etc.). 2. Poupar (...); (...)

Perdoável. [De perdoar + -ável.] Adj. 1. Merecedor ou suscetível de perdão.

Fonte: Dicionário Aurélio

31 de dezembro de 2008

O significado de algumas palavras

Paciência. [Do lat. patientia.] S. f. 1. Qualidade de paciente. 2. Virtude que consiste em suportar as dores, incomôdos, infortúnios, etc., sem queixas e com resignação. 3. Perseverança tranquila. (...)

Dilema. [Do gr. dílemma, pelo lat. dilemma.] S. m. 1. Lóg. Raciocínio cuja premissa é alternativa, de sorte que qualquer dos seus termos conduz à mesma consequência. 2. Fig. Situação embaraçosa com duas saídas difíceis ou penosas.

Mágoa. [Do lat. macula.] S. f. 1. Mancha ou nódoa proveniente de contusão. 2. Fig. Desgosto, amargura, pesar, tristeza. (...)

Paixão. [Do lat. pasione.] S. f. 1. Sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e a à razão. (...)

Tempo. [Do lat. tempus.] S. m. 1. A sucessão dos anos, dos dias, das horas, etc., que envolve, para o homem, a noção de presente, de passado e futuro (...). 2. Momento ou ocasião apropriada (ou disponível) para que uma coisa se realize. (...)

Orgulho. [Do frâncico urgulli, 'excelência', atr. do cat. orgull e do esp. orgullo.] S. m. 1. Sentimento de dignidade pessoal; brio, altivez. 2. Conceito elevado ou exagerado de si próprio; amor-próprio demasiado; soberba (...)

Mentira. [De mentida (...)] S. f. 1. Ato de mentir; engano, impostura, fraude, falsidade. 2. Hábito de mentir. 3. Engano dos sentidos ou do espírito; erro, ilusão (...)

Sincero. [Do lat. sinceru, 'sem mistura; sem malícia; puro'.] Adj. 1. Que se expressa sem artifício, sem intenção de enganar; franco, leal. 2. Que se mostra disposto a conhecer a verdade; franco, leal (...). 3. Dito ou feito sem dissimulação. 4. Verdadeiro, autêntico, puro (...) 5. Cordial, afetuoso (...) 6. Sem afetação ou disfarce (...) 7. De boa fé (...)

Saudade. [Do lat. solitate, 'soledade, solidão' (...)] S. f. 1. Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las (...) 2. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido. (...)

Oportunidade. [Do lat. opportunitate.] S. f. 1. Qualidade de oportuno. 2. Ocasião, ensejo, lance. 3. Circunstância adequada ou favorável (...)

Esperança. [Do lat. sperantia, do v. sperare] S. f. 1. Ato de esperar o que se deseja. 2. Expectativa, espera. 3. Fé, confiança em conseguir o que se deseja. (...)

Ódio. [Do lat. odiu.] S. m. 1. Paixão que impele a causar ou desejar mal a alguém; execração, rancor, raiva, ira. 2. Aversão à pessoa, atitude, coisa, etc.; repugnância, antipatia, desprezo, repulsão. (...)

Amor. [Do lat. amore.] S. m. 1. Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem, ou de alguma coisa. 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser (...)

Fonte: Dicionário Aurélio

30 de dezembro de 2008

Estrelas

Eram três as estrelas. Como não sabia a qual falar, falou às três de uma vez:
- Sempre estivemos juntas e, de alguma forma, completamo-nos em belezas que, isoladamente, sabemos, são inigualáveis. Contudo, as mesmas belezas através das quais lançamos luzes sobre o mundo, orientando e esclarecendo os homens em suas intermináveis e incontáveis voltas, também os confundem e os desorientam por serem fortes, demasiadamente fortes e inexplicavelmente belas.
Após uma breve pausa, continuou:
- Estrelas que estão no céu - céu que tem a cor que quer, até do pecado - respondam-me, eu peço: o que devo fazer?
Depois de algum tempo, ouviu por resposta:
- Importa que você converse. Um pouco de paciência com as pessoas mais lentas e amedontradas, porém! É importante, também, que você fique, ainda, nos bastidores da fama. Entenda. É esse o caminho.
00:28, 00:29, marcavam os ponteiros contando as horas. Vou dormir - pensou - quem sabe eu acordo e é tudo passado. E adormeceu, sem saber que o passado só existe em relógios.

Assim

Deixemos tudo como está, enquanto tudo esteja...assim.

28 de dezembro de 2008

Vento

Onde não há nada, há o vento - e a lógica da vida não deixa de estar presente com a sua inteligência insuperável.

27 de dezembro de 2008

Sóis

Esquecê-lo, não tem jeito.
Esquecê-lo, não há como.
Tenho um coração no peito
e esse coração tem dono.

Esse dono é um olhar
que penetra o peito adentro,
que consegue dominar
minhas partes e o meu centro.

Quando manda nada faço
a não ser obedecer
- esse olhar desenha um traço
e eu me ponho a percorrer.

Ah...! Olhar de mil estrelas,
cintilantes como sóis!
Vivo apenas para vê-las
- não há nada como vós!

21 de dezembro de 2008

Tarde

Eram 3:24 da tarde
quando,
pelo olhar,
você me mostrou
mais verdades
do que eu ja tinha
visto,
ou
aprendido,
em todas as outras horas
anteriores
àquela.

Agora,
não há como esquecer.

5 de dezembro de 2008

Epistemologia


Nada
é
o
que
parece.
A
transitoriedade
está em tudo,
como se tudo
fosse um rio,
um imenso rio,
onipresente.

O que existe
já existia,
como um rio,
um outro rio
- e assim será,
sempre será,
tudo será
um vir a ser.

Pois tudo é rio
- até o rio.

30 de novembro de 2008

Magnitude

A
menor
partícula,
a parte
da qual
até
os
átomos
são feitos,
não
é,

eu acredito,

tão diminuta
quanto o são

a avareza,
o preconceito,
o ressentimento,
a maledicência,
o pessimismo
e a opressão,

se confrontados
com o que Deus,

por natureza,
sabedoria
e magnitude,

imaginou
e concretizou
como
início, meio e fim
da,
ainda,
incompreendida
experiência humana:

o amor.

18 de novembro de 2008

Senão

Não há,
senão,
a falta.

A falta.
A falta.
A falta.

A falta que você me faz.

6 de novembro de 2008

Erros

Eu não esqueci
o bem que você me fez.
Nem quanto eu errei
sem saber que errava.

Eu não esqueci.

Aprendi,
inclusive,
que há erros que ensinam,
há erros que esmagam.

Você
desenhava
o sol,
e
eu
o
escurecia.
Você
desenhava
o
céu,
e
eu
o
enegrecia.
Você
desenhava
a
luz,
e
eu
a
obscurecia.
Você
desenhava
a
lua,
e
eu
a
eclipsava.

Você
desenhava,
e
eu
apagava.
Eu não estava pronto.
Eu não estava pronto.
Eu não estava pronto.

Eu não estava pronto.

E,
agora,
eu me pergunto:
existirá perdão
para quem não se perdoa?

3 de novembro de 2008

Iguais

Acredite:
somos todos iguais,
apesar de
testosteronas,
progesteronas,
propriedades,
nomes
e sobrenomes.
Nossas diferenças
são apenas aparências,
caminhos diferentes para o mesmo destino.
Todo passo
de um homem
é um passo da humanidade,
caminhando,
acredite,
para um só final.